Narrativas do corpo criança em contextos de aventura: os desafios da verticalidade corporal
Resumo
Este artigo objetiva analisar como adultos e crianças se relacionam em situações de verticalidade corporal. Para isso, apoiamo-nos nos estudos da criança e nos estudos do corpo de David Le Breton. Os princípios ético-metodológicos e a triangulação (das diferentes fontes de dados, dos instrumentos de pesquisa e dos percursos) foram os procedimentos que orientaram a investigação, composta por quatro crianças (com idades de 4 a 6 anos) e suas famílias. Os dados, produzidos em ambiente on-line e interpretados pela análise temática, mostraram que as crianças buscavam pela verticalidade corporal quando saíam da zona de conforto para a de expansão. Pelos desafios, suspendiam seus corpos do chão e, em virtude das ordens corporais instituídas, criavam contextos de aventura no espaço da casa e/ou recorriam ao corpo adulto para a experiência. Os adultos aceitavam, incentivavam ou proibiam as ações das crianças pela presença corporal e/ou pela relação de poder. Assim, as narrativas corporais das crianças, que envolvem verticalidade corporal, possibilitaram a elas uma construção identitária como atores sociais, marcada pelo contrato com os adultos, os quais assumiram diferentes papéis conforme o contexto de aventura.
Downloads
Referências
AGGERHOLM, K.; LARSEN, S. H. Parkour as acrobatics: an existential phenomenological study of movement in parkour. Qualitative Research in Sport, Exercise and Health, [S. l.], v. 9, n. 1, p. 69-86, 2017.
ALANEN, L. Generational order. In: QVORTRUP, J.; CORSARO, W. A.; HONIG, M. S. (Ed.). The Palgrave Handbook of childhood studies. London: Palgrave Macmillan, 2009. p. 159-174.
ALESSI, V. M. As linguagens dos bebês na educação infantil: diálogos do Círculo de Bakhtin com Henri Wallon. 2017. 142 f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2017.
ANDRÉ, M. E. D. A. Texto, contexto e significados: algumas questões na análise de dados qualitativos. Caderno de Pesquisa, São Paulo, n. 65, p. 66-71, maio 1983.
ARENHART, D. Culturas infantis e desigualdades sociais. Petrópolis: Vozes, 2016.
BRÜSEKE, F. J. Uma vida de exercícios: a antropotécnica de Peter Sloterdijk. Revista Brasileira de Ciências Sociais, São Paulo, v. 26, n. 75, p. 163-174, fev. 2011.
CAMARGO, G. B. A travessia da educação infantil para os anos iniciais do ensino fundamental: a experiência da criança. 2020. 114 f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2020.
DE PAULA, D. H. L. Percursos de movimento no espaço da casa: narrativas do corpo criança. 2023. 219 p. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2023.
FERNANDES, L.; BARBOSA, R. A construção social dos corpos periféricos. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 25, n. 1, p. 70-82, jan./mar. 2016.
FERNANDES, N. Ética na pesquisa com crianças: ausências e desafios. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v.21, n. 66, p. 759-779, jul./set. 2016.
FERNANDES, N. Entre a imagem-fantasma da criança e a imagem da criança- sujeito: pressupostos para pensar eticamente a utilização das fotografias de/ com crianças. In: SARMENTO, M. J. Desafios éticos nas pesquisas com crianças: Uerj (Brasil) e Uminho (Portugal). [S. l.: s. n.], 2021. Palestra. 1 vídeo (39 min). Publicado pelo canal kekere uerj. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=A5cK2miJ6F4. Acesso em: 11 set. 2025.
FINGERSON, L. Children’s bodies. In: QVORTRUP, J.; CORSARO, W. A.; HONIG, M. S. The Palgrave Handbook of childhood studies. London: Palgrave Macmillan, 2009. p. 217-227.
GARANHANI, M. C. Concepções e práticas pedagógicas de educadoras da pequena infância: os saberes sobre o movimento corporal da criança. 2004. 145 f. Tese (Doutorado em Educação: Psicologia da Educação) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2004.
GARANHANI, M. C.; DE PAULA, D. H. L.; CAMARGO, G. B. Corpo criança: um conceito em construção nas pesquisas com crianças. Cadernos de Educação, Pelotas, n. 68, p. 1-23, 2024.
GIDDENS, A. A constituição da sociedade. São Paulo: Martins Fontes, 2009.
GRAUE, M. E.; WALSH, D. J. Investigação etnográfica com crianças: teorias, métodos e ética. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2003. (Manuais Universitários).
LE BRETON, D. Antropologia das emoções. Tradução de Luís Alberto Peretti. Petrópolis: Vozes, 2019.
LE BRETON, D. Adeus ao corpo: antropologia e sociedade. Tradução de Marina Appenzeller. 6. ed. Campinas: Papirus, 2013.
LE BRETON, D. Condutas de risco: dos jogos de morte aos jogos de viver. Tradução de Lólio Lourenço de Oliveira. Campinas: Autores Associados, 2009.
MAYALL, B. Towards a sociology of child health. Sociology of Health & Illness, [S. l], v. 20, n. 3, p. 269-288, May1998.
OLIVEIRA, E. Filosofia da ancestralidade: corpo e mito na Filosofia da Educação brasileira. Rio de Janeiro: Ape’Ku, 2021. (Trilogia da Ancestralidade, v. 3).
SANDSETER, E. B. H.; KLEPPE, R.; KENNAIR, L. E. O. Risky play in children’s emotion regulation, social functioning, and physical health: an evolutionary approach. International Journal of Play, [S. l.], v. 12, n. 1, p. 127-139, 2023.
SANTIN, S. Educação Física: uma abordagem filosófica da corporeidade. 2. ed. Ijuí: Unijuí, 2003.
SANTOS, E. S. Os riscos corporais do brincar: o que dizem crianças da Educação Infantil. 2021. 121 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2021.
SARMENTO, M. J. As culturas da infância nas encruzilhadas da 2a modernidade. In: SARMENTO, M. J.; CERISARA, A. B. Crianças e miúdos: perspectivas sociopedagógicas da infância e educação. Porto: Edições ASA, 2004. p. 9-34.
SARMENTO, M. J. A reinvenção do ofício de criança e de aluno. Atos de Pesquisa em Educação, Blumenau, v. 6, n. 3, p. 581-602, set./dez. 2011.
SARMENTO, M. J. Desafios éticos nas pesquisas com crianças: Uerj (Brasil) e Uminho (Portugal). [S. l.: s. n.], 2021. Palestra. 1 vídeo (2 h 29 min). Publicado pelo canal kekere uerj. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=A5cK2miJ6F4. Acesso em: 11 set. 2025.
SAYER, A. Method in Social Science: a realist approach. London: Routledge, 1992. SLOTERDIJK, P. You must change your life. Cambridge: Polity Press, 2013.
SOUZA, L. K. Pesquisa com análise qualitativa de dados: conhecendo a Análise Temática. Arquivos Brasileiros de Psicologia, Rio de Janeiro, v. 71, n. 2, p. 51-67, maio/ago. 2019.

This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
A aceitação do texto implica automaticamente a cessão de seus direitos autorais ao Inep.
A revista Em Aberto adota a licença CC-BY.
A reprodução total ou parcial dos textos da revista é permitida desde que citada a fonte de publicação original e o link para a licença CC BY 4.0 e que sejam indicadas eventuais alterações no texto.










