Relações de gênero na educação científica de crianças pequenas: uma proposta de metodologia de pesquisa

Palavras-chave: metodologia de pesquisa, educação científica, relações de gênero, educação infantil

Resumo

Este artigo apresenta e analisa uma metodologia de pesquisa, cujo objetivo é identificar como essa metodologia pode ser utilizada para provocar e capturar a construção das infâncias no espaço da educação infantil, quando as crianças estão envolvidas em atividades relacionadas a ciências, tecnologia e gênero. O estudo foi realizado com 32 crianças, entre 5 e 6 anos, em uma escola pública de Guarulhos, São Paulo (SP). No manejo dos desafios de pesquisa sobre e com as crianças, fundamentada nos estudos sociais da infância, identificamos procedimentos, estratégias e instrumentos metodológicos advindos de uma proposta de pesquisa qualitativa, do tipo pesquisa-intervenção. Resguardados os procedimentos éticos, utilizamos registros fotográficos, caderno de campo, gravação de vídeo e áudio, com o objetivo de garantir a escuta ativa das crianças. Como resultado, verificamos que a metodologia favoreceu essa escuta ativa e a participação infantil, o que possibilitou a criação de repertórios imaginativos, científicos e de gênero e, por conseguinte, a ampliação de experiências das infâncias.

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Biografia do Autor

Paula Teixeira Araujo, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

Doutora em Educação pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Campus Guarulhos, é coordenadora de programas educacionais na Secretaria Municipal de Educação de Guarulhos-SP.

Anna Cecília de Alencar Reis, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

Doutora em Educação pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Campus Guarulhos, é pós-doutoranda em Educação na University of Ottawa, Canadá.

Emerson Izidoro dos Santos, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

Doutor em Educação para a Ciência pela Universidade Júlio de Mesquita Filho (Unesp), Campus Bauru-SP, é professor da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Campus Guarulhos-SP.

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Publicado
30-12-2025
Seção
Pontos de vista - O que pensam outros especialistas?