Fronteiras didáticas do português como língua adicional em Portugal e no Brasil: entre mudanças políticas e epistemológicas

Alexandre Ferreira Martins

Resumo


As principais políticas linguísticas concernentes ao português como língua adicional (PLA) são descritas com o objetivo de justificar a sua consolidação no Brasil, já que em Portugal há um vasto histórico de reflexões em relação a essa área, notadamente para a elaboração de currículos. Em seguida, analisam-se produções acadêmicas brasileiras – sobretudo dissertações de mestrado e teses de doutorado –, com o propósito de compreender a evolução discursiva relacionada ao Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros (Celpe-Bras), sua pertinência para a consolidação da área e o impacto do seu construto teórico sobre uma mudança epistemológica no ensino de PLA. Nessa análise, constata-se a presença das noções de uso da linguagem e de gêneros discursivos. Na conclusão, o desenvolvimento da área no Brasil é discutido em relação ao plano supranacional português e às inferências apresentadas sobre as políticas linguísticas que direcionam o ensino de PLA nos dois países.


Palavras-chave


português como língua adicional; epistemologia; política linguística; Celpe-Bras; Portugal; Brasil.

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DOI: http://dx.doi.org/10.24109/2176-6673.emaberto.32i104.4290

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